terça-feira, 7 de julho de 2015

VISITA A PATMOS

Hoje, eu gostaria de levar-vos comigo a rever um lugar que extasiou o meu coração, bem como o coração dos amigos que me acompanhavam.
Sim, gostaria de levar-vos a um passeio, muito longe daqui, num lugar abençoado.
Esse lugar chama-se Patmos.

Patmos é uma ilha, mas está situada muito mais perto da Turquia do que da Grécia.
Só de barco se pode lá ir e a travessia, a partir de Atenas, leva cerca de treze horas.
Patmos é uma ilha minúscula no mapa, mas na realidade, pela sua importância espiritual, é uma ilha muito grande e nós quisemos visitá-la.
Foi pois, em peregrinação que visitámos este lugar, porque foi ali que S. João viveu e escreveu o Evangelho e o Apocalipse.

Quando nos aproximamos da ilha, sentimo-nos tocados pela brancura imaculada das casas, que brilha mais intensamente ainda sob o azul do mar e do céu.
Algumas aldeiazinhas encontram-se à beira-mar, outras como Khora, onde está o mosteiro de S. João Evangelista com a gruta do Apocalipse, situam-se nas colinas.
Foi à volta desta gruta onde S. João viveu que, pouco a pouco, ao longo dos séculos, foram construídos os edifícios que hoje constituem o mosteiro: a basílica de S. João, o Teólogo*, edificada sobre as ruínas de um templo de Artémis, uma capela dedicada a S. Cristodoulos, o fundador do mosteiro no século II, e ainda outras igrejas, capelas e celas de monges, bem como um refeitório, uma biblioteca...
É um conjunto impressionante, que se vislumbra de todos os pontos da ilha; está rodeado de muralhas, datadas do século XVII porque, na época, era necessária a protecção contra as frequentes incursões dos piratas.

Chegamos à única entrada do mosteiro depois de termos subido alguns degraus talhados na rocha.
Atravessamos corredores, pátios interiores e jardins floridos ladeados de celas e de capelas e, depois de termos descido uma trintena de degraus igualmente talhados na rocha, passamos por outras capelas e entramos na capela de Santa Ana que comunica com a gruta do Apocalipse.
Esta capela foi o primeiro edifício a ser construído.
Ao dar-lhe este nome, Cristodoulos quis homenagear, em primeiro lugar, Santa Ana, a mãe de Maria (mãe de Jesus) e, simultaneamente, a mãe do imperador de Bizâncio, Aleixo I Coménio**, que também se chamava Ana.
Quanto à gruta do Apocalipse, não é muito grande (apenas pode albergar algumas pessoas), nem muito alta (cerca de dois metros).
Mostraram-nos uma cavidade onde, segundo a tradição, S. João metia a cabeça e, por cima desta, uma cruz que ele próprio teria gravado na rocha.
Mostraram-nos ainda uma outra cavidade, que seria o sítio onde ele se apoiava quando aparecia, porque já era muito idoso.
Numa parte do rochedo, que é muito direita e lisa, distingue-se como que uma escrivaninha onde, dizem, o seu discípulo Prokhoros escrevia o Evangelho que ele ditava.
Na abóbada da gruta vê-se uma fenda tripla que teria sido produzida pelo estrondo, no momento em que se fez ouvir a voz do Apocalipse, e esta fenda tripla é considerada como um símbolo da Trindade.
A gruta também está ornamentada com objectos sagrados e imagens, diante dos quais ardem lamparinas, e nela podemos ler várias inscrições em grego: «No começo era o Verbo» e «Foi aqui em Patmos que as coisas se passaram».
Ou ainda: «Este terrível lugar».
O sacerdote grego que nos guiou na visita mostrou-nos grandes riquezas por toda a parte: manuscritos magnificamente ilustrados, relíquias, imagens, objectos sagrados.
E, quando nos contava a vida de S. João, segundo os testemunhos dos discípulos que ele formara em Patmos, o sacerdote estava num estado de inspiração e de exaltação extraordinário; ele próprio não compreendia o que estava a acontecer-lhe.
Ele irradiava!

*Nome dado, em grego, a S. João Evangelista.

**Foi o imperador Aleixo I Coménio que concedeu a Cristopoulos a posse da ilha de Patmos.

Continua


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