domingo, 19 de outubro de 2014

A REENCARNAÇÃO (Cont.II)

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E se ainda não estiverdes convencidos, eis mais alguns argumentos.
Um dia, Jesus recebeu a informação de que João Baptista acabara de ser feito prisioneiro, e o texto diz apenas: «Ao saber que João Baptista tinha sido entregue, Jesus retirou-se para a Galileia.»
Algum tempo depois, João Baptista foi decapitado por ordem de Herodes.
Após a transfiguração, os discípulos perguntaram a Jesus: «Porque afirmam os escribas que primeiramente deve vir Elias?»
Jesus respondeu: «É verdade que Elias há-de vir e restabelecer todas as coisas, mas eu digo-vos que Elias já veio, mas eles não o reconheceram e trataram-no como quiseram.»
E o texto acrescenta: «Os discípulos compreenderam que ele falava de João Baptista.»
Portanto, é claro que João Baptista era a reencarnação de Elias.
Aliás, o Evangelho refere também que, quando um anjo apareceu a Zacarias, pai de João Baptista, para lhe anunciar que a sua mulher, Isabel, iria dar à luz um filho, ele lhe disse: «Ele caminhará perante Deus com o espírito e o poder de Elias.»

Vejamos agora a vida do profeta e procuremos saber aquilo que ele fez para que lhe tenham cortado a cabeça quando ele reencarnou mais tarde como João Baptista.
É uma história muito interessante.
Elias viveu no tempo do rei Achab.
Achab tinha desposado Jesebel, filha do rei de Sidon, e por causa dela, prestava culto a Baal.
Elias apresentou-se perante o rei Achab para lhe reprovar a sua infidelidade ao Deus de Israel e disse-lhe: «Não haverá durante estes anos nem orvalho, nem chuva, senão pela minha palavra.»
Depois partiu e, por ordem de Deus, foi esconder-se nas montanhas para escapar às buscas que o rei mandara fazer.
Ao cabo de três anos a seca tinha causado grandes prejuízos em toda a região: o povo sofria os efeitos da fome e Deus enviou Elias novamente à presença do rei Achab.
Logo que o viu, o rei acusou violentamente Elias de ser a causa daquela seca.
«Não, disse o profeta, és tu a causa, porque abandonaste o Eterno para render culto ao deus Baal.
Vamos ver agora quem é o verdadeiro Deus.
Ordena que todos os profetas de Baal se reúnam no monte Carmelo...»
Todos os profetas se reuniram e Elias disse: «Agora, tragam dois touros; ergueremos dois altares, um para Baal e outro para o Eterno.
O Deus que responder pelo fogo será o verdadeiro Deus.»
Os profetas começaram; desde o nascer-do-sol até ao meio dia, fizeram invocações: «Baal... Baal... Baal... responde-nos...»
Mas não houve resposta, e Elias fazia troça deles: «Gritai um pouco mais alto, para que ele vos ouça, pois pode estar absorto com alguma coisa ou andar em viagem, ou então estar a dormir.»
Os profetas gritavam com mais força e, como conheciam a prática da magia, chegaram até a fazer incisões nos seus próprios corpos, porque esperavam atrair, através do sangue que corria, larvas e outros elementais que fariam cair o fogo sobre o altar.
Mas nada aconteceu.
Então, Elias disse: «Agora basta!
Tragam-me doze pedras.»
E com essas pedras fez um altar, à volta do qual cavou um fosso; colocou madeira sobre as pedras, e sobre a madeira, o touro cortado em pedaços.
Depois mandou regar tudo com água e encher o fosso também com água.
Então, estando tudo preparado, Elias invocou o Senhor: «Ó Eterno, Deus de Abraão, de Isaac e de Israel, que hoje se saiba que Tu és Deus em Israel, que eu sou Teu servidor e que fiz todas estas coisas pela Tua palavra.»
E o fogo caiu do céu, com uma tal força que consumiu tudo: não restaram nem vítima, nem madeira, nem pedras, nem água.
Todo o povo, aterrorizado, reconheceu que o verdadeiro Deus era o Deus de Elias.
Nessa altura, Elias, sem dúvida demasiado orgulhoso por esta vitória, mandou conduzir os 450 profetas de Baal para junto de uma torrente, onde os decapitou.

Eis a razão pela qual era de esperar que também ele fosse decapitado, pois existe uma lei, que Jesus enunciou no Jardim de Gethsémani, no momento em que Pedro, precipitando-se sobre o servidor de Caifás, lhe cortou a orelha: «Pedro, guarda a tua espada na baínha, porque todos os que se servirem da espada, pela espada morrerão.»
Ora, numa mesma existência nem sempre se vê a veracidade destas palavras.
E como é que Elias morreu?
Não só não foi massacrado, como até lhe enviaram um carro de fogo no qual foi transportado ao céu.
Mas recebeu o castigo pela sua falta quando veio à terra na pessoa de João Baptista.
Jesus sabia bem quem ele era e que destino o esperava.
Foi por esta razão que, apesar de ter proferido acerca dele estas palavras magníficas: «Entre aqueles que nasceram de mulheres, não há ninguém maior que João Baptista», Jesus nada fez para o salvar, e não fez nada porque a justiça devia seguir o seu curso.
Compreendemos agora por que razão ele abandonou a região quando lhe anunciaram a prisão de João Baptista: é que Ele não devia salvá-lo.
A lei é a lei.

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