segunda-feira, 20 de março de 2017

UMA FILOSOFIA UNIVERSAL



Capítulo  VIII  -  A  FRATERNIDADE,  UM  ESTADO  DE  CONSCIÊNCIA  SUPERIOR

Continuação

                                                                           III

Existem pois, no homem, elementos e tendências que jamais se poderá mudar, mas poder-se-á mudar a sua orientação: far-se-á convergir esses elementos e essas tendências para um único ponto, para o Cume.
Reparai nas pirâmides.
A pirâmide é um símbolo que nos ensina que tudo deve convergir para um só ponto, no Alto: a Causa Primeira, o Senhor.
Enquanto os elementos estiverem demasiado dispersos, demasiado divergentes, a paz não poderá instalar-se.
Foi dito: «Conhece-te a ti mesmo.»
É preciso conhecer o homem tal como ele é exteriormente, mas também interiormente.
Pois bem; interiormente, no plano espiritual, não há nenhuma diferença entre os seres: seja qual for a raça a que pertençam ou o seu grau de instrução, todos foram criados, formados, nas oficinas do Senhor com base no mesmo modelo.
Por ora, como desceram às regiões mais baixas da matéria, não podem deixar de se detestar; é impossível agirem de outra maneira.
Ide ver o que se passa nos pântanos ou na selva: todos se devoram uns aos outros.
Mas ide bastante mais alto, junto das hierarquias angélicas, e vereis seres que não cessam de se abraçar e de trocar presentes.
Sim, no Alto é assim, mas em baixo é a luta, é o ódio.
É por isso que os humanos, que desceram tão baixo, não podem fazer outra coisa que não seja exterminarem-se.
Depois, tiram conclusões sobre a vida e dizem que o homem é um lobo para o homem, que na terra reina a lei da selva... sim, é verdade; enquanto se fica em baixo.
Mas, quanto mais subirdes, mais encontrareis amor, amor, amor...
Se os humanos pudessem elevar-se bastante alto, ficariam tão maravilhados, tão deslumbrados com essa realidade, que estenderiam a mão uns aos outros, e isso seria a Idade de Ouro.
Vejo-me forçado a repetir que, sem a luz do Ensinamento da Fraternidade Branca Universal nunca se chegará a lado algum.
Mas com esta luz tudo é possível.
Alguns já compreenderam e trabalham nessa direcção, mas como não podem influenciar os homens que estão no poder, estes fazem o que querem, e a miséria do mundo continua.
Mas se nós prosseguirmos no nosso trabalho e se permanecermos verdadeiramente unidos, ligados, um belo dia conseguiremos sacudir os que governam com crueldade e injustiça e eles serão obrigados a mudar ou a dar o lugar a outros melhor preparados.
É preciso ir ao ponto de os obrigar.
Sem armas, claro, sem ameaças, sem nada além do poder da luz, mas é preciso obrigá-los.
Se fôssemos numerosos, eles seriam forçados a tomar-nos em consideração.
Perante uma tal luz, diante de um tal amor, de uma tal harmonia, todos capitulariam.
Temos o direito de obter vitórias, mas servindo-nos unicamente do poder da luz e do amor.
Pelas revoltas e pelos massacres, jamais se chega ao que quer que seja.
Muito pouco tempo depois é ainda pior.
Eu sou um revolucionário, ninguém é tão revolucionário como eu, mas não o sou à maneira de todos os outros.
Após cada revolução, são as mesmas desordens, as mesmas desonestidades, as mesmas devastações, as mesmas injustiças...
As vítimas e os carrascos mudaram de campo, mas há sempre vítimas e carrascos.
Então, onde está o progresso?
Não são as transformações exteriores que produzirão as verdadeiras melhorias.
É a mentalidade humana que é preciso mudar, é nela que se deve dar a verdadeira revolução.
É certo que muitos trabalham para a felicidade dos homens, para a paz no mundo, mas como não sabem com que bases trabalhar, tudo o que conseguem é fazer buracos na água.
Os verdadeiros progressos, as verdadeiras mudanças, fazem-se no pensamento, no coração, na alma, e graças à luz.
Não se pode mudar verdadeiramente o que quer que seja se se conservar a mesma mentalidade egoísta, desonesta, pérfida.
Como quereis que as mudanças sejam eficazes se a mentalidade continua a ser a mesma?
É das mentalidades que temos de ocupar-nos, porque, ao mudá-las, mudar-se-á automaticamente a sociedade.
Tudo depende das mentalidades.
E só se pode mudar as mentalidades com uma filosofia nova, verídica e eficaz!
Todos dizem que as coisas não vão bem no mundo, todos falam e escrevem para explicar que é preciso fazer mudanças, mas ninguém aponta verdadeiras soluções.
Há demasiadas palavras, demasiados livros; o que falta é o cimento que pode ligar os humanos: o amor.
É verdade que, presentemente, por todo o mundo os jovens procuram formar movimentos, associações.
Eles mostram-se inflamados, efervescentes; é formidável!
Mas como não estão bem instruídos, não sabem como hão-de agir.
Lançam-se nessas iniciativas sem saber como a natureza humana é complicada e difícil e, após algum tempo, entram em conflito, dilaceram-se uns aos outros e separam-se ao perceber que não fizeram melhor que os adultos que criticavam.
É magnífico querer revolver o mundo, mas é preciso ser instruído na Ciência Iniciática, senão apenas se fará tentativas infrutíferas.
É preciso estudar a natureza humana nas suas manifestações inferiores e nas suas manifestações superiores.
Enquanto só se conhecer o homem nos planos inferiores, poder-se-á dizer que ele é uma fera.
É preciso ir-se mais longe para se ver que também há nele uma divindade oculta.
A questão está em saber como fazer aparecer esta divindade que está no homem, e para isso o conhecimento da Ciência Iniciática é extremamente necessário.

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