segunda-feira, 6 de abril de 2015

O DIA E A NOITE (Cont. V)

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Lembrai-vos do esquema que representa o homem com os seus seis corpos: físico, astral, mental inferior, mental superior, búdico e átmico.
No centro encontram-se o corpo mental inferior (manas, como dizem os teósofos) e o mental superior, que é o corpo causal; eles estão ligados.
Por isso, graças às suas actividades, o intelecto inferior acabará por despertar um dia o intelecto superior.
O homem necessita de possuir um intelecto que lhe permita desenvolver-se enquanto indivíduo e dominar o mundo material.
Se vivesse continuamente mergulhado na vida colectiva e universal seria incapaz de trabalhar a matéria.
É o perigo que correm os místicos quando não sabem trabalhar nos dois domínios e se entregam somente ao mundo nebuloso e lunar.
Evidentemente, têm algumas alegrias, alguns êxtases, mas os seus trabalhos terrestres periclitam e os seus corpos físicos também.
Para podermos desenvolver-nos harmoniosamente temos de saber trabalhar nos dois planos.

 O sol impede-nos de ver o resto da Criação que, contudo, existe; existem mesmo no Universo sóis maiores e mais poderosos que o nosso.
Mas lá porque a luz do sol nos impede de ver a imensidão não vamos agora censurá-lo; isso é necessário e indispensável, corresponde ao trabalho do intelecto.
No passado longínquo, quando o intelecto dos homens não estava desenvolvido, a sua consciência também não muito desperta no plano físico, tinham uma vida mais psíquica, uma vida astral, viviam no meio dos espíritos, desdobravam-se facilmente, visitavam as regiões invisíveis onde viam as almas dos mortos e comunicavam com elas.
Mas depois a Inteligência da Natureza decidiu desenvolver o intelecto dos humanos, e agora este intelecto está tão desenvolvido que tudo o que é intuição, clarividência e misticismo se esfumou.
Embora alguns conservem estas crenças, este contacto com as regiões subtis, a maioria dos humanos está completamente à margem delas porque trabalha mais com o intelecto.
Porém, este intelecto, que de momento encobre o mundo divino, tem também a possibilidade de ir mais longe, e virá o dia em que ele alcançará a inteligência superior à qual está ligado, a inteligência pura, a inteligência sublime das causas primeiras.
Então, o homem conhecerá o mundo objectivo, concreto, material e, ao mesmo tempo o mundo invisível, subtil, o mundo espiritual, o mundo divino.
Não há que suprimir o intelecto, porque de entre as faculdades que Deus nos deu é ele que nos permite reencontrá-l'O.
Se não tivéssemos esta inteligência, mesmo medíocre, mesmo limitada, jamais poderíamos encontrar o que quer que fosse.
Deus deu o intelecto aos humanos para eles poderem reencontrá-l'O; e, se tivessem um pouco de boa vontade, não lhes seria assim tão difícil.
Tomemos um exemplo.
Quando é cometido um crime em qualquer parte, ou quando os ladrões roubam um banco, vem a polícia tirar as impressões digitais e procurar indícios.
Porquê?
Muito simplesmente porque ela está convencida, absolutamente convencida, de que todo o acto, toda a obra, tem um autor.
Então porque é que os humanos, seguindo este raciocínio, não concluem que se o Universo existe, com estas leis, esta ordem, esta harmonia, é porque também tem um autor?
Ah, não, não, tudo tem um autor, mas a Natureza, com estes oceanos, estas montanhas, estes sóis, estas constelações e todos estes seres vivos, não tem!...

Não há que subestimar o intelecto; nunca tive a intenção de diminuir o seu valor, somente a de explicar como ele se manifesta de momento e a que limites deve obedecer, sem ignorar o seu papel, que é imenso, pois é justamente graças a ele que se pode descobrir o Criador, o Senhor.
Só que é necessário ser lógico: se se acredita que cada crime tem um autor, mas que a Criação não tem, vive-se num perfeito absurdo.
Para certas coisas as pessoas são incrédulas, e para outras são de uma credulidade espantosa!
Não acreditam no Criador nem na Inteligência Cósmica, nem no mundo divino, nem na justiça, nem na bondade, mas acreditam que colherão frutos sem ter plantado nem semeado coisa alguma.
Se conhecessem a reencarnação e as suas leis saberiam que não basta esperar, que é necessário ter preparado o terreno para se obter o que se pede e que, se se tiver trabalhado nas encarnações anteriores, nesta vida ter-se-á tudo o que se deseja.

Portanto, como vedes, os humanos não acreditam na Inteligência Divina, mas acreditam na estupidez, no acaso, no absurdo.
Certos materialistas crêem que os átomos se combinaram entre si por acaso de tal modo que criaram cérebros inteligentes.
Mas perguntai simplesmente a um agricultor se é o acaso que governa a Natureza: ele dir-vos-á que não se colhe figos de uma videira, nem ameixas dos cardos.
E se ele sabe isto, sabe também que a inteligência produzirá inteligência, e o absurdo, o absurdo.
Como podem os cientistas acreditar então, que um acaso estúpido, insensato e caótico criou um mundo tão inteligentemente organizado?
É verdadeiramente incrível!

Continua

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