terça-feira, 18 de abril de 2017

RESPOSTAS À QUESTÃO DO MAL







Capítulo VIII - ACERCA  DO  SUICÍDIO

Vós encheis um copo pela metade e mostrai-lo a duas pessoas: uma diz que ele está meio cheio e outra diz que ele está meio vazio.
Para a maioria das pessoas, isto significa a mesma coisa, mas para a Ciência Iniciática revela duas mentalidades, dois processos psicológicos diferentes.
Se vos fixardes na plenitude, sentir-vos-eis repletos; se vos fixardes no vazio, esvaziar-vos-eis.
É uma lei mágica: quando um doente não pensa senão na sua doença, o seu estado piora, porque todo o pensamento negativo provoca a desagregação.
Ele que pense em saúde, e esse pensamento curá-lo-á.
Pode ser que vos faltem muitas coisas, mas se quiserdes que vos faltem ainda mais, fixai-vos nessa falta!...
Pensai antes, que sois filhos e filhas de Deus, que sois herdeiros de uma imensa riqueza, e vereis todas as melhorias que se seguirão.
Aliás, o que falta aos humanos não é tanto o dinheiro, as casas, os carros... mas uma filosofia luminosa e divina, capaz de fazê-los sair de todas as suas fraquezas, de todas as dificuldades.
Sim, é muito simples, extremamente simples.
Alguns, seja o que for que se lhes apresente, estão habituados a ver o lado bom das coisas e das situações, ao passo que outros só vêem os inconvenientes.
Bem entendido, uns e outros têm razão, mas esta "razão" age, interiormente, de duas maneiras diferentes.
Do ponto de vista da verdade, pode dizer-se que um copo está meio cheio ou meio vazio, isso não tem qualquer importância; mas a acção mágica é diferente.
E é precisamente isto o essencial.
Se vos habituardes a ver as faltas, as lacunas, os defeitos, ireis ficando cada vez mais tristes, desanimados, azedos.
É o que acontece quando alguém se detém no que lhe falta.
Que essas faltas existem, é evidente, a quem o dizeis!...
Mas a questão não está aí; a questão está em saber trabalhar com o que se possui, para se melhorar.
Para mostrar a alguns o quanto se enganam e fazem mal a si próprios, dizendo que lhes falta isto, que lhes falta aquilo, e sobretudo dinheiro - é da falta de dinheiro que todos se queixam mais! -, eu dir-lhes-ei: «Dou-vos vinte milhões; dou mesmo, dou-vos vinte milhões, mas... vós dar-me-eis os vossos olhos.»
Oh!, eles recusarão, soltando gritos.
«E mais vinte milhões  pelos vossos ouvidos... vinte milhões pelo vosso nariz... vinte milhões pelos vossos braços... e mais vinte milhões pelas vossas pernas.»
Oh, lá lá!
Vai subindo, chegamos aos biliões.
Pois bem, mesmo perante esta soma, eles recusarão.
Nesse caso, porque se sentem pobres?
Eles são ricos, só que não viram isso.
Não o viram porque são idiotas, e os idiotas têm sempre que sofrer, a sua cabeça tem que amadurecer.
Não sou eu que o digo, é a Natureza.
A Natureza é implacável: podeis gritar, chorar, ameaçar, que ela não muda nada; vós é que tendes de inclinar-vos, de obedecer, de pôr-vos de acordo com ela.
Sim, ela é implacável, irredutível.
Direis que ela é cruel...
Não, ela só pensa em tornar os humanos inteligentes, belos e, sobretudo, felizes.
Mas, quando se vê que eles têm cabeças duras...
Que quereis?
É preciso que essas cabeças amadureçam, e para isso ela emprega métodos que só ela conhece.
Quando a Natureza se empenha em relação a alguém, nem sequer lhe dá explicações, diz simplesmente: «Eu desejo o seu bem e, como não há outros meios para o tornar sensato, sou obrigada a usar estes.»
Não se pode censurá-la.

Continua

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