quarta-feira, 5 de abril de 2017

PENSAMENTO QUOTIDIANO - 05.04.2017

 MESTRE  OMRAAM  MIKHAËL  AÏVANHOV


Cada um dos nossos estados psíquicos produz efeitos no mundo invisível e, por isso, afecta outras criaturas.
Embora a maioria dos humanos não tenha consciência deste facto, isso nada muda: mais cedo ou mais tarde, eles serão obrigados a constatar os estragos provocados por todas as suas desordens interiores.
Quando chegarem ao outro mundo, as entidades celestes dir-lhes-ão: «Olha! Por tua causa, foi cometido este crime, aconteceu aquele acidente.»
Eles bem poderão protestar, dizendo que nunca fizeram aquele mal, que nunca roubaram nem destruíram, nem mataram, mas responder-lhes-ão: «Talvez não, mas os teus pensamentos e os teus sentimentos influenciaram outras pessoas que, por tua causa foram impelidas a agir mal.»

Perante a Justiça Divina, nós não somos responsáveis somente pelos nossos actos.
Cada um é também responsável pelos seus pensamentos, pelos seus sentimentos, pelos seus desejos, pois eles agem no mundo invisível como forças que impelem outros seres para o bem ou para o mal.

terça-feira, 4 de abril de 2017

RUMO AO REINO DA PAZ






Capítulo I  -  PARA  UMA  MELHOR  COMPREENSÃO  DA  PAZ

Continuação (3)

A paz tal como geralmente é compreendida não é a verdadeira paz.
Se, por alguns minutos ou algumas horas, não sentis interiormente nem agitação nem desordem, isso não é ainda a paz, porque não é um estado duradouro.
Uma vez que a verdadeira paz se instale, não mais podereis perdê-la.
Sim, a paz não é somente sentir-se bem, calmo e sem preocupações durante uns momentos, é algo mais profundo, muito mais precioso...
A paz, como vos disse, é um resultado.
Quando os instrumentos de uma orquestra estão perfeitamente afinados, quando todos os músicos, à força de tanto terem trabalhado com o maestro que os dirige, o conhecem, gostam dele e lhe obedecem, resulta daí uma extraordinária harmonia.
No ser humano, a paz é também uma harmonia, uma sintonia perfeita entre os elementos, as forças, as funções, os pensamentos, os sentimentos, as actividades.
Esta paz profunda, inexprimível, é muito difícil de obter, porque para isso são necessários a vontade, a paciência, o amor e um grande saber.
Só quando o discípulo começa a apreender e a compreender a natureza e as propriedades de cada elemento, de cada pensamento, de cada sentimento, de cada desejo, a fim de nunca introduzir em si nada que possa perturbar a sua harmonia interior e, finalmente, quando ele consegue eliminar do seu organismo tudo o que não vibra em uníssono, é que ele obtém a paz.
Se fumardes, se comerdes e beberdes não importa o quê, introduzireis no vosso organismo certos elementos nocivos que vos tornam doentes e não podereis ter paz.
Se tiverdes dores de dentes, se tiverdes cólicas ou palpitações, como quereis ter paz?
Introduzistes em vós partículas que provocam obstruções ou fermentações e agora é preciso eliminá-las
Esta lei aplica-se também no domínio psíquico.
Enquanto ignorardes a natureza dos vossos sentimentos, dos vossos pensamentos, dos vossos desejos, das vossas paixões, dos vossos instintos, e os respirardes e vos alimentardes deles sem saber se vos farão bem ou mal, nunca estareis em paz.
A paz é, pois, a consequência de um saber profundo sobre a natureza dos elementos de que o homem se alimenta em todos os planos.
E a par deste saber, bem entendido, como tenho vindo a dizer-vos, é necessária uma grande atenção, uma vontade poderosa para nunca deixar que se introduzam elementos perturbadores.
Os Iniciados dão tanta importância à pureza porque verificaram há muito tempo que, à menor impureza no seu corpo físico, nos seus sentimentos ou nos seus pensamentos, perdiam a paz.

A paz, como acabo de dizer-vos, é o resultado de uma harmonia entre todos os elementos que constituem o homem: o espírito, a alma, o intelecto, o coração, a vontade e o corpo físico.
E ela é tão difícil de obter justamente porque estes elementos raramente estão em harmonia.
Determinado homem tem pensamentos lúcidos, sábios, mas eis que o seu coração, onde se introduziu um sentimento inferior, o pressiona a fazer disparates.
Ou, se ele está animado dos melhores desejos, é a vontade que está paralisada.
Como quereis que, nestas contradições, ele se sinta em paz?
A paz é a última coisa que o homem pode obter.
Mas quando, após toda a espécie de sofrimentos e lutas, de reveses e de vitórias, ele consegue finalmente fazer triunfar a sua natureza divina sobre todas as revoltas e todos os alaridos da sua natureza inferior, então, e só então, ele pode encontrar a paz.
Antes, talvez consiga viver momentos deliciosos, mas isso não dura muito.
Assim, ouve-se muitas pessoas dizerem: «Perdi a paz.»

Continua


PENSAMENTO QUOTIDIANO - 04.04.2017


 Mais cedo ou mais tarde, chega um momento em que os seres humanos fazem o balanço da sua vida.
E, se forem honestos, em muitos casos têm de reconhecer que, com frequência, desperdiçaram as suas forças, a sua saúde e a sua beleza em actividades que não valiam muito a pena.
Evidentemente, retiraram daí algumas pequenas vantagens; mas, se puserem tudo isso na balança divina, aperceber-se-ão de que o pouco que ganharam não compensa as riquezas que perderam.

Infelizmente, este é um tipo de cálculo que os homens e as mulheres, muitas vezes, fazem demasiado tarde.
Quando partem à conquista da fortuna, do poder, da glória ou mesmo do saber, nunca lhes ocorre avaliarem as perdas que essas aquisições também podem implicar.
E, mesmo que se sintam orgulhosos por terem atingido o seu objectivo, alguns anos mais tarde vemo-los esgotados, doentes fisicamente e psiquicamente, sem apetite, sem sono e sem alegria.
Então, eles apercebem-se de que o que ganharam não justifica todo aquele sofrimento e dizem: «Se eu soubesse!...»
Mas é demasiado tarde; deveriam ter feito esse cálculo mais cedo!


MESTRE  OMRAAM  MIKHAËL  AÏVANHOV

segunda-feira, 3 de abril de 2017

RUMO AO REINO DA PAZ






Capítulo I  -  PARA  UMA  MELHOR  COMPREENSÃO  DA  PAZ

Continuação (2)

Tomemos um exemplo muito simples.
Um homem faz uma refeição abundante com chouriços, presuntos, frangos, copiosamente regados com bons vinhos.
Depois da refeição, diz para consigo: «Agora vou procurar um lugar tranquilo para repousar.»
Ele encontra realmente um lugar tranquilo, mas sente que algo dentro de si começa a agitar-se.
Pega num cigarro, fuma e depois estira-se pensando que gostaria muito de ter uma mulher simpática junto dele.
Onde encontrá-la?
Em casa do vizinho, claro!
Há um muro, mas isso nada quer dizer, ele salta por cima!
Vós imaginais a continuação da história...
Evidentemente, nem sequer vale a pena falar de paz!...

A paz não é um estado que se possa obter mecanicamente.
Se procurais a paz mantendo em vós condições de perturbação e de excitação, jamais a encontrareis.
A paz é um resultado, uma consequência; ela significa que todas as funções e actividades interiores e exteriores do homem estão perfeitamente equilibradas e harmonizadas.
É necessário pois, conhecer os meios e os métodos capazes de produzir a paz e, isso é toda uma ciência.
Desde que mantenha certos desejos, certas cobiças, o homem, faça o que fizer, não pode estar em paz, porque, por intermédio desses desejos e dessas cobiças, ele já introduziu no seu foro íntimo o germe da desordem.
Tomemos o exemplo de um homem que cometeu um roubo: automaticamente, ele pensa que talvez alguém o tenha visto e, não consegue deixar de imaginar tudo aquilo que poderá vir a acontecer-lhe: vão surpreendê-lo, detê-lo, metê-lo na prisão...
Nunca está seguro de não ter sido visto, de não ter deixado algumas pistas ou de não ter feito alguma coisa que possa revelar o seu furto, e não consegue estar tranquilo: perde o apetite, o sono, e só pensa em esconder-se.
Um outro pediu dinheiro emprestado prometendo restituí-lo mas, como é incapaz de se privar um pouco para juntar a quantia em dívida, não a restitui e, ei-lo perseguido pelo seu credor, ao qual já não sabe como escapar...
Um outro ainda, dirige palavras duras e ofensivas a um amigo e faz dele um inimigo.
Eis, mais uma vez, a paz ameaçada!
Não vale a pena continuar, poderíamos encontrar centenas de exemplos.
Sim, as pessoas dão sempre provas de um talento incrível para perder a paz.
Se tendes uma matilha que ladra atrás de vós porque tendes dívidas, porque roubastes, saqueastes, ou porque não cumpristes as vossas promessas, como quereis ter paz?
Responder-me-eis: «Fugindo aos meus credores.»
De acordo, mas aos credores que estão dentro de vós. às inquietações, aos remorsos que vos perseguem, como conseguireis fugir-lhes?...
Raciocinar assim revela falta de saber e de conhecimentos verdadeiros.
Não tenhais ilusões, o pensamento continuará a atormentar-vos.
Aparentemente é muito fácil ter paz: basta ir para as montanhas altas onde reinam o silêncio e a solidão.
Mas eis que, mesmo lá, o homem não tem paz.
Porquê?
Porque levou um transístor na cabeça; sim, um transístor de que ele nunca se separa e que está sempre a trabalhar...
E que ouve ele?
Muitas vezes este transístor está sintonizado com as estações do Inferno, onde também há músicas, é certo, mas que músicas, que algazarra!
Ele encontra-se, portanto, lá nos cumes, na tranquilidade e no silêncio.
Sim, exteriormente tudo é calmo, mas interiormente, as tempestades e os furacões fazem estragos.
Então, como obter a paz?
Toda a gente sabe que o corpo humano é constituído por um grande número de órgãos ligados entre si; cada um realiza um trabalho particular, mas todos devem estar afinizados, em harmonia, senão haverá desordens, aquilo a que em música se chama dissonâncias.
O homem só pode ter boa saúde e estar em paz se todos os seus órgãos fizerem o seu trabalho desinteressadamente, impessoalmente, para o bem de todo o organismo.
Mas esta saúde, esta paz, ainda não passam de estados puramente físicos.
Para se ter paz de alma e de espírito é preciso ir muito mais alto, é preciso que todos os elementos que constituem o outro organismo, o organismo psíquico, vibrem também em uníssono, sem egoísmo, sem conflitos, sem separatividade, como os órgãos do organismo físico.
A paz é, pois, um estado de consciência superior; só que, como ela também depende da saúde do nosso organismo e como os mínimos problemas que nele aparecem podem comprometer a nossa harmonia psíquica, é necessário que estes dois organismos, o físico e o psíquico, estejam em harmonia para que a paz se instale completamente.

Continua

PENSAMENTO QUOTIDIANO - 03.04.2017

Como Deus não vos protegeu, como Ele deixa triunfar o mal e os maus, começais a ajustar contas com Ele e, na vossa consciência separais-vos d'Ele.
Mas compreendei que ajustar contas com o Senhor não leva a nada, a não ser perder ainda mais qualquer coisa muito preciosa.
Então, se isso vos acontecer, só vos resta voltar atrás e dizer: «Senhor, eu pensei que podia separar-me de Ti, passar sem Ti, e agora estou duplamente infeliz.
Perdoa-me!»

Enquanto não compreenderdes que nada deve separar-vos de Deus, não fareis mais do que acrescentar a miséria espiritual ao vosso sofrimento moral e físico.
Desligando-vos da Fonte da vida, da luz e do amor, privais-vos daquilo que vos mantém, vos alimenta e vos inspira.
Nunca esqueçais que essa Fonte também corre em vós: é ela que alimenta a vossa alma e o vosso espírito.


domingo, 2 de abril de 2017

RUMO AO REINO DA PAZ






Capítulo I  -  PARA  UMA  MELHOR  COMPREENSÃO  DA  PAZ


Um dia, eu assisti a um debate  público sobre a paz.
Várias personalidades, muito qualificadas, instruídas, inteligentes, simpáticas, divertidas até, usaram da palavra.
Graças a elas aprendi que a paz é a mais desejável situação para toda a humanidade, ao passo que a guerra é o pior dos males.
Eu estava verdadeiramente encantado e disse para comigo: «Até que enfim que se compreendeu os benefícios da paz; é evidente que a humanidade vai ser salva!»
Mas, apesar disso, eu queria ouvir de que maneira se ia instalar a paz.
Vários oradores expuseram projectos.
Um propôs que se criasse uma polícia mundial que impedisse os países de se combaterem.
Eis algo magnífico, mas como proceder?
Este projecto fez-me pensar naquela fábula de La Fontaine em que os ratos se reuniram em assembleia para descobrir uma maneira de se protegerem do gato.
Após muitas discussões, o decano dos ratos apresentou uma solução: era preciso, dizia ele, atar uma sineta ao pescoço do gato; assim ouvi-lo-iam ao longe.
Esta solução maravilhosa foi acolhida com aplausos.
Infelizmente, nunca se chegou a encontrar o rato que fosse suficientemente audacioso para ir pendurar a sineta no pescoço da gato!
É exactamente a mesma coisa para este projecto da polícia mundial.
Onde encontrar uma força internacional suficientemente honesta e imparcial para assumir esta função e, depois, como impô-la a todas as nações?
Um outro orador veio explicar que a paz não seria conseguida senão através do federalismo e lançou-se em toda a espécie de teorias das quais ninguém compreendeu grande coisa.
Um terceiro tomou a palavra para acusar o Estado de abusar do seu poder e de transformar os cidadãos em escravos...
Enfim, depois de ter ouvido muitos outros oradores, fui obrigado a concluir que a paz não poderia vir tão cedo, porque ninguém a compreende nem sequer sabe realmente o que ela é.
Só um ponto de vista iniciático pode aclarar a questão porque, para realizar a paz, é preciso ter um grande conhecimento do ser humano.
Podereis dizer: «Oh, o ser humano!, mas ele já é conhecido!»
Não, não se conhece ainda a sua estrutura psíquica com os seus diferentes corpos subtis, cada um com necessidades bem definidas, com aspirações a satisfazer.
E, sobretudo, não se conhece o ser humano tal como nós o apresentámos, com as suas duas naturezas, o eu inferior e o Eu superior, a personalidade e a individualidade...
Pois bem: enquanto aqueles que querem a paz não tiverem esta consciência, a paz não virá ao mundo, façam eles o que fizerem.

De momento, o que se vê, sobretudo, é pessoas a acusarem-se encarniçadamente umas às outras de serem causadoras da guerra.
E julgam que assim estão a trabalhar a favor da paz.
Para uns, os culpados são os ricos; para outros, são os intelectuais, os políticos ou os cientistas.
Os crentes acusam os que não pertencem à sua igreja de serem hereges que conduzem a humanidade para a perdição e os não crentes acusam os crentes de fanatismo...
Observai e vereis que é sempre pela supressão de algo exterior a si, coisas ou pessoas, que cada um julga poder instalar a paz no mundo.
E é aí que todos se enganam.
Mesmo que se suprima o exército e os canhões, no dia seguinte os humanos terão inventado outros meios para matar.
A paz é um estado interior e jamais ele será obtido suprimindo o que quer que seja no exterior.
É dentro de si, primeiramente, que se deve suprimir as causas da guerra.

Continua

sábado, 1 de abril de 2017

PENSAMENTO QUOTIDIANO - 02.04.2017


O lendário cavaleiro Percival ou Parsifal, partindo em busca do Graal tornou-se, na tradição iniciática, a imagem do adepto no caminho da Iniciação.
Tal como Parsifal, que teria de atravessar florestas obscuras, combater inimigos e gigantes temíveis, escapar a emboscadas, o discípulo, na sua vida íntima, encontra a escuridão, as tentações, os perigos, os inimigos...
Uma vez ultrapassadas todas as provas, Parsifal chega a um castelo maravilhoso, com paredes cobertas de ouro e ornadas de pedras preciosas, onde é acolhido solenemente; é aí que lhe é dado contemplar o Santo Graal, o vaso sagrado.

Do mesmo modo, a visão do Graal representa, simbolicamente, a recompensa suprema para aquele que fez do seu interior um palácio com paredes cobertas de ouro e pedras preciosas, pois ele alimentou continuamente na sua cabeça e no seu coração o mais alto ideal: a conquista dos dons inestimáveis do Espírito.

MESTRE  OMRAAM  MIKHAËL  AÏVANHOV