sexta-feira, 5 de maio de 2017

ACERCA DO INVISÍVEL



Capítulo  V  (parte)  -  DEVE-SE  CONSULTAR  CLARIVIDENTES?

Quantas pessoas não imaginam que a espiritualidade consiste tão somente em ler alguns livritos sobre ocultismo, em assistir a algumas sessões espíritas e em consultar clarividentes para que estes lhes revelem o seu futuro ou as suas vidas anteriores!
Ah, lá isso eles encontrarão, clarividentes é o que por aí não falta!
Existem milhares e milhares de indivíduos que se dizem médiuns, videntes extraordinários, e que anunciam nos jornais os horóscopos que fazem, os seus talismãs e as suas jóias que vos trarão tudo: a felicidade, a riqueza, o amor, a sorte.
Eu acredito que existem alguns grandes clarividentes no mundo, mas a maioria, nem me falem neles!
Ninguém acredita mais do que eu na clarividência e sinto-me feliz por a ciência oficial começar a admitir que existem na terra criaturas que possuem faculdades de percepção extra-sensorial, e a estudá-las.
Mas, na realidade, para mim a questão não está em duvidar ou acreditar, mas em encontrar os melhores métodos de trabalho para avançar na vida espiritual...
Os melhores significa os menos perigosos, os mais eficazes, talvez os mais longos, mas os mais duradouros.
O que é triste é que as pessoas são apressadas, não têm paciência nem confiança para enveredar por uma via luminosa, mais lenta, mas mais segura.
Têm pressa, querem tornar-se clarividentes assim como poderiam tornar-se "pedicure" ou "manicure", e logo que obtêm um pequeno resultado fazem um alarde enorme disso para atrair clientela, e assim induzem muita gente em erro, aproveitando-se do facto de o comum das pessoas não ter discernimento e acreditar em tudo.
Quantos homens e mulheres não decidiram exercer a profissão de clarividentes, de médiuns, porque são incapazes de fazer outra coisa!
Conheci muitos assim.
Durante anos, vi-os experimentar uma profissão, depois outra, mas nada resultava; e um dia eu vinha a saber que eles se tinham tornado clarividentes, cartomantes, radiestesistas...
Eu ficava estupefacto.
As pessoas vivem de qualquer modo, não praticam qualquer disciplina, e são clarividentes!
Sob o pretexto de alguma vez terem dado, por acaso, uma ou duas respostas certas ou de terem tido sonhos premonitórios, dizem-se clarividentes.
E existe gente assim!
Eu não digo que eles não tenham umas faculdadezitas e uns ligeiros dons psíquicos, um pouco de intuição, um pouco de sensibilidade ao mundo invisível, mas têm sobretudo muita habilidade e muito descaramento.
Elas compreenderam que os humanos têm necessidade de ser sossegados, lisonjeados, e então dizem-lhes aquilo que eles querem ouvir.
Algumas vezes elas até nem vêem nada, mas para não decepcionarem aqueles que as consultam, para não perderem o prestígio, ou mesmo, muito simplesmente, para não perderem dinheiro, dão respostas vagas, tentando não se comprometer.
Não existem muitos videntes honestos que vos digam francamente: «Desculpe, mas hoje não posso dizer-lhe nada.
Não vejo nada.
Volte cá noutra ocasião.»
Não, eles fingem.
No início, é claro, as pessoas duvidam um pouco daquilo que lhes dizem.
Mas dá-lhes tanto prazer ouvir dizer que vão encontrar finalmente o homem ou a mulher da sua vida, receber uma herança ou satisfazer todas as suas ambições!
E se isto não acontece, não há problema, elas continuam à espera...
Ao passo que, se alguém lhes disser que terão de enfrentar dificuldades, provações, ficarão sem vontade de o consultar mesmo que estas se realizem: têm a impressão de que esse clarividente não é benéfico para elas e voltam àquele que lhes prediz todos os sucessos.
Se as magníficas previsões não se realizam, vão consultá-lo de novo para lhe perguntar o que se passou.
«Foi simplesmente retardado por causa desta ou daquela posição dos astros», diz o clarividente para os sossegar, «mas vai acontecer, tenha paciência...»
E eis de novo a esperança, eis de novo a alegria.
Sim, é assim...
Então, de quem é a culpa?
Daqueles que vão consultar os clarividentes, claro.
Uma vez que têm tanta necessidade de que lhes contem histórias, as pessoas encontrarão sempre alguém muito bom, muito caridoso, que terá prazer em contar-lhas.
Quanto aos ditos clarividentes que se afirmam capazes de aconselhar os outros, de responder às suas questões sobre o passado, o presente e o futuro, e de resolver os seus problemas, como é possível eles não sentirem que correm o risco de fazer as pessoas perderem-se?
Que responsabilidade!
E por que fazem eles isso?
Pelo dinheiro?
Pelo prestígio?...
Pois bem, devem saber que o mundo invisível não gosta de que se sirvam dele desse modo e castigá-los-á.
Eu não nego, repito, que certas pessoas têm um dom, mas esse dom não as coloca ao abrigo das fraquezas e também não as protege das entidades tenebrosas que vêm visitar todos aqueles que não sabem resistir às tentações, aos seus desejos inferiores.
Pode-se ser clarividente e, a par disso, dar mostras de uma moralidade duvidosa.
Como se pode ser poeta, músico ou filósofo e viver mais ou menos como um animal.
Certas pessoas possuem o dom da clarividência porque numa outra encarnação fizeram os esforços necessários para o obter; e como no presente se deixam conduzir pelas suas tendências inferiores, tudo se manifesta conjuntamente: as suas fraquezas, os seus vícios e o seu dom de clarividência.
Será assim até elas perderem esse dom, como perderão também o dom da poesia, da música ou da filosofia, todos aqueles que não tiverem sabido trabalhar interiormente para o conservar.
Aliás, o dom desses clarividentes não será verdadeiramente notável se eles não possuírem outras qualidades.
Portanto, atenção!
Se quiserdes mesmo consultar clarividentes, ao menos que não seja uma pessoa qualquer.
Agora, gostaria também de chamar a vossa atenção para o seguinte: muitas pessoas vão consultar clarividentes e põem questões para as quais elas mesmas encontrariam a resposta se utilizassem a sua própria inteligência, o seu juízo e o seu bom senso.
Têm tantos indícios na sua frente, diante dos seus olhos, mas não os vêem, não os compreendem, e para serem esclarecidos irão consultar videntes, radiestesistas, cartomantes.
Para que servem os olhos, os ouvidos e o cérebro que o Senhor deu a cada um se se passa a vida a interrogar os outros?
Aliás, por que é que se vai fazer perguntas aos outros?
Para conhecer a verdade?
Nada disso: muitas vezes até é o contrário, vai-se colocar questões para se ser encorajado a fazer o mal.

PENSAMENTO QUOTIDIANO - 05.05.2017


 Quanto mais numerosos somos quando nos reunimos, mais a nossa irradiação fraterna atrai entidades divinas que vêm ajudar-nos, dando-nos a saúde, a força, a luz.
Nós não nos reunimos para termos o prazer de nos encontrarmos e passarmos agradavelmente o tempo, mas para fazermos um trabalho consciente.
E esse trabalho consiste em submeter a nossa vida pessoal, egoísta, à lei da fraternidade, da universalidade, da harmonia.
Cada vibração harmoniosa que conseguimos criar põe-nos em relação com a grande harmonia cósmica.

A palavra "harmonia" resume todas as virtudes, todas as bênçãos.
Quando a harmonia penetrar em cada região do nosso ser, afinar-nos-á como um instrumento, e o Espírito que virá aflorar-nos com o seu sopro tirará de nós as mais belas sonoridades.
Trabalhar para o Reino de Deus é isso.


MESTRE  OMRAAM  MIKHAËL  AÏVANHOV

quinta-feira, 4 de maio de 2017

PENSAMENTO QUOTIDIANO - 04.05.2017

Encontramos pessoas que, embora afirmem que são ateias, invejam aquelas que têm fé.
Mas não vão mais longe, fazem como se ter ou não ter fé, fosse algo que não depende absolutamente nada delas, como se a fé fosse um dom que se recebe ou não da Natureza.
E é nisso que se enganam: na realidade, a fé é a cristalização de um saber do passado, fundamenta-se numa experiência do mundo divino feita outrora, uma experiência que deixou em cada ser registos indeléveis e que lhe cabe a ele vivificar.

É por sentirem nelas, de um modo confuso, a presença de tais registos, que certas pessoas lamentam não ter fé; elas sentem que lhes falta algo essencial.
Mas, se não fizerem nada para a reencontrar, sofrerão ainda durante muito tempo por essa falta, e cada vez mais.
A fé resulta de um trabalho.
Por isso, não se deve imaginar que, se não se fizer nada, se pode encontrar a fé assim, de repente, pela acção de uma graça divina imprevisível.
É impossível: mesmo para ter fé e para a manter, é preciso trabalhar.

quarta-feira, 3 de maio de 2017

PENSAMENTO QUOTIDIANO - 03.05.2017

Que relações existem entre a serpente e a pomba?
Elas representam os dois aspectos opostos da mesma energia: a energia sexual.
A pomba é precisamente a serpente sublimada.
Ela ensina-nos que tudo o que rasteja no solo pode, um dia, tornar-se capaz de se lançar nos ares e voar.

A serpente representa a força sexual primitiva, e ela é muito manhosa!
Como está escrito no Génesis: «A serpente era o mais manhoso de todos os animais dos campos que Deus fizera.»
É impossível enumerar todos os meios a que os humanos podem recorrer para escapar à serpente, mas ela apresenta e arranja as coisas de tal forma que, na maior parte das vezes, acaba por triunfar.
Alguém diz: «Eu não sucumbirei à tentação, resistirei...»
Mas, como não previu a cilada que a serpente é capaz de preparar, no momento em que não está à espera, deixa-se apanhar.
E continuará a deixar-se apanhar até conseguir transformar nele a serpente em pomba, isto é, transformar o amor humano num amor divino, que o arrancará à terra e o fará conhecer a liberdade dos espaços infinitos.


MESTRE  OMRAAM  MIKHAËL  AÏVANHOV

segunda-feira, 1 de maio de 2017

PENSAMENTO QUOTIDIANO - 02.05.2017


Interrogai os humanos acerca dos seus gostos e descobrireis neles uma diversidade extraordinária: cada um, segundo o seu temperamento, manifesta atracções, repulsas...
Quer venha da cabeça, do coração, do estômago, do sexo, há sempre, em cada um, qualquer coisa que quer impeli-lo numa certa direcção.
Mas isso não é razão para vos deixardes arrastar cegamente; antes de cederdes a um impulso, deveis reflectir sobre as consequências que daí advirão.

Aquele cuja consciência não está desperta pode encontrar prazer em ocupações inúteis e até nocivas para a sua evolução.
São os seus gostos e ele procura satisfazê-los.
Mas ele não deve ficar surpreendido se essas alegrias se transformarem rapidamente em sofrimentos, em amarguras, em arrependimentos.
Só os prazeres de um ser sábio, iluminado, são ouro puro.
Ninguém deve privar-se de alegrias nem de prazeres, mas é preciso conhecer a sua natureza e procurar sempre substituí-los por alegrias e por prazeres mais puros, mais nobres, mais benéficos para si mesmo e para os outros.


MESTRE  OMRAAM  MIKHAËL  AÏVANHOV

A LIBERDADE, VITÓRIA DO ESPÍRITO






Capítulo  VI  -  A  VERDADEIRA  LIBERDADE  É  UMA  CONSAGRAÇÃO

Continuação (3)

A única liberdade que existe é a consagração.
Quando um Iniciado quer projectar forças sobre um objecto para o consagrar, começa por purificá-lo, por exorcizá-lo, porque esse objecto já recebeu a influência das pessoas que o tocaram ou dos acontecimentos que tiveram lugar junto a ele, que depositaram nele camadas fluídicas opacas, impuras.
Essas camadas impedem que o pensamento mágico possa impregnar o objecto, pois formam como que uma barreira, uma tela que se torna um obstáculo.
Só depois de exorcizar o objecto, através de fórmulas e de vapores de incenso, é que o Iniciado procede à sua consegração.
Consagra-o a uma entidade, a um princípio, a uma virtude, e o objecto fica reservado.
É como se ostentasse um letreiro.
Está impregnado de boas influências e os maus espíritos já não podem vir instalar-se nele e servir-se dele.
Na Natureza há leis e interdições que até os espíritos maus conhecem.
Eles sabem que, se transpuserem determinadas barreiras, serão punidos.
Mas, evidentemente, onde a entrada é livre nem mesmo o Senhor pode impedi-los de penetrar para se alimentarem, conspurcarem e saquearem.
Têm esse direito, a porta está aberta.
Alguns cristãos perguntam a si próprios como é possível o Senhor permitir que os espíritos do mal penetrem neles...
Que pergunta tão tola!
Se eles próprios não se protegem, porque é que o Senhor haveria de protegê-los?
Há regras e leis que devemos conhecer.
Se tiverdes um jardim e ele não estiver protegido por um muro ou uma vedação, não é de admirar que os frutos das vossas árvores sejam roubados.
E se fordes queixar-vos à justiça, dir-vos-ão: «Não havia qualquer vedação a assinalar que o pomar era propriedade sua; nada podemos fazer.
Deveris ter colocado uma vedação.»
Pois é, as pessoas querem ser livres, livres, mas livres de quê e de quem?
Ah, livres dos instrutores que as tornariam sábias e conscientes, livres do Céu, livres do Senhor!
Mas nessa altura ficam à disposição do Inferno, que lhes inspira toda a espécie de loucuras e de crimes.
Ficam constantemente rodeadas de forças que as espreitam para as induzir em erro e se regalarem à sua custa; e depois sofrem, ficam doentes.
Todas essas pessoas que se dizem "livres" vivem no vazio e, claro, os maus pensamentos, os maus sentimentos e as entidades más que vagueiam por aí, introduzem-se nelas para se alimentarem.
Exactamente como os animais: têm necessidade de se alimentar e apanham a primeira vítima que vier parar-lhes às garras ou aos dentes.
Se esta não consegue libertar-se, é devorada.
Todas as criaturas, todas as coisas na vida têm necessidade de se alimentar, e assim o que é mau lança-se sobre o que puder servir-lhe de pasto.
Vede o que se passa com os micróbios, os bacilos, os vírus...
Por toda a parte existe a mesma lei.
Se o homem não é suficientemente inteligente para se proteger, todas as forças negativas penetram nele e depois ele grita, chora, lamenta-se, sem compreender o que está a acontecer-lhe.
Contudo, é fácil de compreender: ele foi demasiado ingénuo, não sabia que não devia estar livre, disponível, para acolher os indesejáveis do mundo invisível que atormentam a humanidade, como se fosse um albergue com todas as portas e janelas abertas de par em par.
Que fazem os caçadores?
Levam o cão e a espingarda e vão matar aves ou outros animais para os comerem ou venderem, ou para fazer figura diante dos outros.
Do mesmo modo, algumas entidades do mundo invisível lançam-se sobre os humanos, a sua deliciosa caça e, devoram-nos.
Por isso, há que estar ocupado, há que ser conduzido, sim, mas pelo Céu, pelos anjos e pelos arcanjos.
É esta submissão que vos permite ser absolutamente livres, porque estas entidades sublimes não vos destroem, pelo contrário.
Como são ricas, inteligentes, belas e luminosas, trazem-vos os seus tesouros, os seus esplendores.
É mais vantajoso, pois, estar-se comprometido, ocupado, consagrado, do que ser livre estupidamente.
A verdadeira liberdade é deixar de ser livre!
Imensos rapazes e raparigas querem ser livres para "viver a sua vida"!
Mas como viverão eles essa vida se não têm nem conhecimento, nem ciência, nem luz, nem vontade?
Vivê-la-ão como animais: comerão, combater-se-ão, divertir-se-ão, chorarão, voltarão a divertir-se, voltarão a chorar... eis o que significa "viver a sua vida".
Não se deve supor que se é livre porque se faz o que se quer e se vai onde se quer sem um guia, sem um ideal.
Se não se consagrar a vida ao Céu, a liberdade não passará de uma escravidão.
O que vos expliquei há pouco sobre o exorcismo e os ritos de consagração é de uma importância incalculável para a compreensão da liberdade.
Se souberdes aplicá-lo a vós próprios, estareis rodeados, protegidos, por círculos mágicos de luz, e os espíritos celestes, atraídos pela vossa aura, virão guardar-vos para impedirem a aproximação dos indesejáveis.
Há que trabalhar, há que estar ocupado.
Observai o que se passa com as pessoas que se reformam: envelhecem muito mais depressa!
É óptimo as pessoas reformarem-se, mas para se dedicarem, finalmente, a outro trabalho, um trabalho espiritual gigantesco.
Nessa altura, sim, sentir-se-ão rejuvenescidas, alimentadas, vivificadas.
Deveis repetir todos os dias: «Senhor, toma-me ao teu serviço, eu estou à Tua disposição, dirige-me, trabalha através de mim para a realização dos Teus  desígnios e dos Teus planos.»
É evidente que nos primeiros dias isso não dará resultados fantásticos, mas, com o tempo, vereis: nem encontrareis palavras que exprimam o quanto vos sentis aconselhados, protegidos, esclarecidos e cheios de uma imensa alegria!...
Pois é, jamais ser livre...
Não percais tempo.
A partir de hoje, acabai com a vossa liberdade e suplicai ao Céu que venha apoderar-se de vós.
Eis um dos maiores segredos da Iniciação!


PENSAMENTO QUOTIDIANO - 01.05.2017


Vós quereis, por exemplo, usar um talismã, para ficardes protegidos das agressões do mundo psíquico: ides a uma loja comprar um pentagrama, a estrela de cinco pontas, porque lestes que esse símbolo tem virtudes protectoras especiais.
Pois bem, desenganai-vos!
Se usardes esse pentagrama ou o puserdes à entrada da vossa casa, só ficareis protegidos se vós próprios o impregnardes de vibrações puras e harmoniosas com o vosso trabalho interior.
Mesmo admitindo que um grande mago o tenha preparado para vós, esse talismã só poderá continuar a ser eficaz e poderoso se trabalhardes para adquirir as cinco virtudes nele simbolizadas: o amor, a sabedoria, a verdade, a justiça e a bondade.

O pentagrama é, de alguma forma, como que o esqueleto de um espírito do plano astral, mas é preciso dar-lhe vida, para que ele monte guarda junto de vós ou à entrada da vossa casa e vos proteja das entidades malfazejas.
E só podeis vivificá-lo por intermédio da vossa própria vida, uma vida honesta, íntegra, ao serviço da luz.


MESTRE   OMRAAM  MIKHAËL  AÏVANHOV