Os homens e as mulheres têm o hábito de declarar uns aos outros o seu amor, sem saberem que nesta maneira de agir se infiltra um elemento interesseiro, egoísta.
Querem atrair, conquistar, cativar a pessoa a quem se dirigem, e então escrevem-lhe ou falam-lhe da forma mais poética possível, escolhendo os gestos, as palavras e o tom de voz apropriados para tal, e a pessoa, encantada, tocada, radiante, acaba por se deixar convencer.
O amor que assim se exprime destina-se a conquistar a pessoa amada, evitando também que uma outra venha apoderar-se dela.
Portanto, os seres humanos são guiados sobretudo pelo egoísmo e pela falta de fé no poder do amor.
Como não têm o verdadeiro amor, que faz maravilhas, apressam-se a manifestá-lo por meios grosseiros - a palavra, a escrita, os gestos -, para prenderem o ser que amam.
E se afirmarem que é a força do sentimento que os impele a agir assim, ainda enfatizam a sua fraqueza, a sua paixão, a sua sensualidade.
Um verdadeiro Mestre não exprime o seu amor, não é necessário, porque o seu amor sente-se: ele irradia.*
* Ver caps. V e VI
O Masculino e o Feminino, princípios da criação
Colecção Izvor
MESTRE OMRAAM MIKHAËL AÏVANHOV


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